Hoje foi daquelas noites que ficam na memória. Sentei-me no sofá da sala do meu pequeno apartamento, ainda vestida do meu "uniforme" noturno com o casaco em cima das pernas, e comecei a escrever para o blog, a tentar perceber como explicar o que vivi.
Conheci um cliente com quem a conversa fluiu de um modo inesperado. Não falámos do costume, nem do trânsito, nem de sonhos impossíveis — falámos de cafés. Curioso, não? Ele, um tipo de meia-idade, falou com paixão do café que bebia todas as manhãs naquele bairro afastado onde eu trabalho durante o dia.
Fiquei a ouvi-lo, a perceber as pequenas coisas que o faziam feliz naquela rotina meio aborrecida. Eu contei do meu café também, o meu refúgio durante as horas claras, com as baristas que já me conhecem pelo nome e o cheiro constante a pão acabado de fazer.
Foi uma conversa que me fez ver o meu trabalho de dia e o trabalho da noite como duas vidas diferentes, mas que, por vezes, se cruzam por um momento, numa partilha simples. Nada do que estava à espera, mas foi exactamente por isso que gostei — não era só um encontro comercial, era humano.
Amanhã mais, talvez outra história menos óbvia. Até lá, fica a surpresa das conversas que a cidade nos traz quando o relógio já marcou meia-noite.
As conversas que ninguém espera numa noite em Lisboa
Hoje foi daquelas noites que ficam na memória. Sentei-me no sofá da sala do meu pequeno apartamento, ainda vestida do meu "uniforme" noturno com o...
