Hoje aconteceu algo que ainda não sei bem como descrever. Acabei o turno no café perto de Almada, onde passo as tardes a servir espressos e croissants enquanto a cidade acorda. De noite, troco o avental pelo vestido negro e saio para as ruas de Lisboa, onde os encontros são mais velozes, mas nem sempre menos intensos.
Foi numa noite dessas, já passada da meia-noite, que ele apareceu. Não era dos habituais, tinha uma aura diferente, e no olhar apenas um pedido mudo, quase urgente. Aprecio quando alguém traz uma energia que mexe comigo sem necessidade de palavras. Durante a breve conversa que tivemos, senti uma mistura de tensão e calma, como se o tempo estivesse suspenso por entre as luzes da rua e o som dos carros a passar.
A monotonia da minha rutina diurna no café desapareceu nessa noite. Ele partiu tão rápido como chegou, deixando só um resto de perfume e essa sensação rara de que algo importante poderia estar a acontecer. É engraçado pensar como as manhãs calmas e os cafés podem contrastar tanto com a adrenalina destas noites de encontros fugazes onde se partilham pequenos segredos, nem sempre revelados, mas sentidos na pele. Talvez amanhã ele volte a aparecer, ou talvez esta energia se mantenha só na memória.
É esse mistério que me prende.
Noites de Lisboa, cafés e encontros que não se explicam
Hoje aconteceu algo que ainda não sei bem como descrever. Acabei o turno no café perto de Almada, onde passo as tardes a servir espressos e...
